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Melasma e Expossoma: estamos realmente tratando a causa?

Atualizado: há 22 horas


Por Lucas Portilho, Farmacêutico e Mestre em Ciências Médicas e Formulador


Olá, meus amigos! Espero que esteja todos bem nesse domingão!


Se você ainda enxerga o melasma apenas como “excesso de melanina”, talvez esteja olhando só a ponta do iceberg.

Uma revisão recente traz um conceito que muda a forma como entendemos essa condição: o expossoma — que pra deixar claro, expossoma representa o conjunto total de exposições ambientais, comportamentais e internas que um indivíduo acumula ao longo da vida.

O melasma não é causado por um fator isolado. Ele surge da interação contínua entre ambiente, comportamento e biologia.


Um problema multifatorial e integrado

A doença pode ser organizada em três grandes grupos de influência:

🔴 Fatores internosHormônios, estresse, estresse oxidativo, disfunção tireoidiana, vitamina D.

🔵 Fatores externos específicosRadiação ultravioleta, luz visível, poluição, medicamentos, dieta e cosméticos.

🟤 Fatores ambientais amplosClima, calor, urbanização e estilo de vida.

Todos esses elementos convergem para vias biológicas centrais, como MITF, AhR, estresse oxidativo e a via neuroendócrina. O resultado é a ativação persistente dos melanócitos.


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O ciclo que mantém o melasma ativo

O processo é sustentado por um ciclo contínuo:

  • Radiação, poluição e hormônios aumentam a produção de espécies reativas de oxigênio

  • O estresse oxidativo estabiliza fatores de transcrição relacionados à melanogênese

  • Há aumento da produção de melanina

  • A inflamação mantém esse processo ativo

Não se trata apenas de produzir pigmento, mas de um sistema biológico que permanece estimulado.

Melasma e expossoma
Figura 1. Foi estabelecido que esses fatores de exposição estão relacionados ao melasma; seja isoladamente ou em combinação, eles estimulam e mantêm o início e a progressão do melasma e a relação com o expossoma.

Luz visível, poluição e calor

Além da radiação ultravioleta, outros fatores têm papel relevante:

  • Luz visível, especialmente na faixa azul, estimula diretamente a melanogênese

  • Poluentes ativam vias inflamatórias e aumentam o estresse oxidativo

  • Calor e condições climáticas intensificam esses efeitos

O ambiente atual contribui para quadros mais persistentes e de difícil controle.


Estilo de vida também participa

Aspectos sistêmicos têm impacto direto:

  • Estresse psicológico pode aumentar mediadores que estimulam melanócitos

  • Dietas ricas em gordura e açúcar favorecem inflamação

  • Consumo de álcool está associado ao agravamento

  • Alterações no sono e no ritmo biológico também influenciam

O melasma reflete não apenas a pele, mas o funcionamento global do organismo.


Limitações das abordagens tradicionais

Grande parte dos tratamentos atuais atua sobre a melanina já formada:

  • Ácidos

  • Despigmentantes

  • Procedimentos

Essas estratégias podem melhorar o quadro, mas não interferem de forma significativa nos fatores que mantêm a condição ativa. Por isso, a recorrência é frequente.


Uma nova forma de conduzir o tratamento

A proposta atual envolve uma abordagem mais ampla:

  • Avaliação do perfil de exposições do paciente

  • Fotoproteção mais completa

  • Reparo da barreira cutânea

  • Uso de antioxidantes

  • Ajustes no estilo de vida

  • Estratégias combinadas

O foco deixa de ser apenas a mancha e passa a ser o controle do processo.

Lucas portilho explica o melasma e expossoma
Figura 2. Este esquema ilustra como as exposições endógenas, exógenas específicas e exógenas gerais atuam sinergicamente nos melanócitos, impulsionando o melasma por meio de um conjunto de vias centrais. O eixo de sinalização central MITF/AhR é ativado por diversos gatilhos. O estresse oxidativo cria um ciclo de autoamplificação que perpetua a inflamação. A via neuroendócrina derivada de POMC conecta o estresse psicológico e as perturbações circadianas à melanogênese. Esses sinais convergentes levam à superprodução sustentada de melanina.

Conclusão

O melasma é resultado da interação entre múltiplos fatores que atuam de forma contínua ao longo do tempo.

Ambiente, hormônios, comportamento e resposta cutânea estão interligados.

Enquanto o tratamento estiver direcionado apenas à pigmentação visível, a tendência é de recorrência.

Compreender essa complexidade permite decisões mais estratégicas, tanto na formulação quanto na prática clínica.

Abraços e aproveitem que o estudo está liberado na íntegra.



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