Farmacêutico brasileiro cria dispositivo patenteado para produção de Capsules Cream em pequenas quantidades
- Lucas Portilho
- há 5 horas
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Após uma viagem à Ásia, Lucas Portilho transformou referências da cosmética coreana e japonesa em inovação para o mercado brasileiro e desenvolveu uma solução inédita para farmácias de manipulação
O farmacêutico, pesquisador e especialista em cosmetologia Lucas Portilho desenvolveu, projetou, patenteou e lançou um dispositivo inédito que permite a produção dos chamados Capsules Cream em pequenas quantidades.
A tecnologia, que se tornou famosa na Coreia do Sul e em outros países asiáticos, é caracterizada pela presença de pequenas cápsulas de creme imersas em um gel transparente. Durante a aplicação, essas cápsulas se rompem e se misturam ao gel, formando uma textura homogênea sobre a pele.
A ideia de desenvolver o equipamento começou após Portilho retornar de uma viagem pela Ásia. Durante o período em que esteve no continente, o farmacêutico conheceu de perto tendências, produtos, texturas e conceitos utilizados principalmente pelas indústrias cosméticas da Coreia do Sul e do Japão.
Portilho voltou ao Brasil trazendo inúmeras referências e ideias. Segundo o pesquisador, grande parte das tecnologias observadas durante a viagem poderia ser traduzida e adaptada para a realidade do mercado cosmético brasileiro e, especialmente, para as farmácias de manipulação.
Essa experiência resultou, inclusive, no lançamento do curso inédito KJ Beauty, voltado ao ensino de formulações inspiradas nos conceitos de beleza coreanos e japoneses.
No curso, profissionais aprendem como desenvolver produtos com características sensoriais, visuais e tecnológicas encontradas na cosmética asiática, utilizando matérias-primas, equipamentos e processos acessíveis à realidade brasileira.
Entretanto, uma das tecnologias observadas por Portilho apresentou um desafio maior: os Capsules Cream.
Apesar de conseguir reproduzir diferentes formulações, texturas e conceitos asiáticos, o farmacêutico percebeu que não havia, no mercado, uma solução adequada para produzir as cápsulas de creme de forma padronizada, principalmente em pequenas quantidades.
Foi justamente diante dessa impossibilidade que Portilho decidiu colocar sua criatividade em ação.

Da dificuldade surgiu a inovação
A produção dos Capsules Cream exige que pequenas porções de creme sejam inseridas no interior de um gel transparente, mantendo formato, volume, distribuição e apresentação visual padronizados.
Quando o processo é realizado manualmente, as cápsulas podem apresentar tamanhos diferentes, formatos irregulares e distribuição inadequada dentro da embalagem. Essas variações comprometem não apenas a estética do produto, mas também sua reprodutibilidade.
Portilho começou, então, a desenhar e projetar um dispositivo que pudesse tornar o processo mais preciso, organizado e repetível.
O desenvolvimento envolveu diferentes etapas, incluindo a criação dos primeiros desenhos, a elaboração de protótipos, a escolha dos materiais, os testes de dimensões, os ajustes estruturais e diversas avaliações práticas de envase.
Após sucessivos aperfeiçoamentos, o pesquisador chegou a um modelo funcional capaz de auxiliar na formação e no envase das cápsulas de maneira mais simétrica e padronizada.
O equipamento foi posteriormente patenteado e lançado para utilização em produções de pequena escala.
“Quando voltei da Ásia, percebi que muitas das ideias que havia conhecido poderiam ser adaptadas para o Brasil. Conseguimos traduzir vários conceitos coreanos e japoneses para a realidade das farmácias de manipulação. Mas, quando tentei produzir os Capsules Cream, encontrei uma barreira. Não existia uma solução adequada para fazer esse produto em pequenas quantidades. Foi nesse momento que decidi criar a minha própria solução”, explica Lucas Portilho.

Tecnologia conquista consumidores e viraliza nas redes sociais
Além do caráter inovador, os Capsules Cream impressionam pela elevada adesão dos consumidores, especialmente quando são apresentados em vídeos e conteúdos nas redes sociais.
O aspecto visual das cápsulas imersas no gel, a transformação da textura durante a aplicação e a experiência sensorial diferenciada despertam curiosidade e aumentam o interesse do público.
Essa capacidade de gerar engajamento ficou evidente após Lucas Portilho publicar, no TikTok, um vídeo mostrando o funcionamento do dispositivo e o processo de produção dos Capsules Cream.
A publicação alcançou a marca de 7 milhões de visualizações, demonstrando o forte apelo da tecnologia junto aos consumidores e o potencial desse tipo de inovação para ganhar grande repercussão no ambiente digital.
O resultado também evidencia uma mudança importante no mercado cosmético. Atualmente, além da eficácia, da segurança e da estabilidade, a experiência visual e a capacidade de um produto gerar interesse nas redes sociais passaram a influenciar diretamente sua aceitação.
Para farmácias de manipulação e marcas independentes, esse comportamento representa uma oportunidade de criar produtos tecnicamente diferenciados, visualmente atrativos e com maior potencial de divulgação orgânica.
“O alcance do vídeo mostra que o consumidor se interessa por inovação, por transformação e por produtos que proporcionam uma experiência diferente. Quando a ciência se une a uma apresentação visual marcante, o interesse do público aumenta de forma impressionante”, afirma Portilho.

Tecnologia voltada para farmácias e laboratórios
Um dos principais diferenciais do dispositivo está na possibilidade de produzir os Capsules Cream em quantidades reduzidas.
A solução foi pensada especialmente para farmácias de manipulação, laboratórios de pesquisa, centros de desenvolvimento cosmético, profissionais formuladores e empresas que precisam fabricar protótipos ou pequenos lotes.
Até então, esse tipo de apresentação estava mais associado às grandes indústrias asiáticas, que possuem equipamentos e linhas de produção desenvolvidos para volumes elevados.
O equipamento criado por Portilho aproxima essa tecnologia da realidade magistral e permite que pequenos produtores desenvolvam formulações personalizadas sem depender de processos industriais de larga escala.
Além do apelo visual, os Capsules Cream oferecem diferentes possibilidades farmacotécnicas. O creme presente nas cápsulas pode receber determinados ingredientes, enquanto o gel externo pode ser formulado com outros componentes compatíveis.
Essa separação permite criar produtos com diferentes cores, texturas, ativos e propostas de tratamento.
As formulações podem ser direcionadas, por exemplo, para hidratação, rejuvenescimento, uniformização do tom da pele, controle da oleosidade, cuidados antiacne, melhora da textura cutânea e suporte a protocolos dermatológicos.
Mais do que um produto visual
Embora os Capsules Cream tenham conquistado visibilidade nas redes sociais por sua aparência diferenciada, Portilho destaca que o desenvolvimento não pode se limitar à reprodução estética.
Para o pesquisador, a formulação exige conhecimento técnico sobre estabilidade, compatibilidade entre ingredientes, viscosidade, densidade, conservação, comportamento do gel e resistência das cápsulas durante o armazenamento.
“Não se trata apenas de fazer um produto bonito. É necessário compreender a formulação, o comportamento das fases e a estabilidade do sistema. O dispositivo resolve uma parte importante do processo, mas a qualidade do produto depende também do conhecimento farmacotécnico”, afirma.
Por esse motivo, o lançamento da tecnologia foi acompanhado de orientações sobre a preparação do gel, o desenvolvimento do creme, a escolha de corantes, a compatibilidade entre as fases e a técnica correta de envase.
A proposta é permitir que o profissional compreenda tanto o funcionamento do equipamento quanto os fundamentos necessários para desenvolver produtos estáveis e reprodutíveis.
Da Ásia para o mercado brasileiro
A trajetória que resultou no dispositivo mostra como a observação de tendências internacionais pode estimular o desenvolvimento de soluções nacionais.
Ao retornar de sua viagem, Lucas Portilho não buscou apenas reproduzir os produtos encontrados no mercado asiático. O pesquisador procurou compreender quais conceitos poderiam ser adaptados às necessidades e às possibilidades técnicas das farmácias de manipulação brasileiras.
O curso KJ Beauty foi um dos primeiros resultados dessa iniciativa, ao apresentar aos profissionais brasileiros diferentes conceitos de formulação inspirados na cosmética coreana e japonesa.
Já o dispositivo para produção dos Capsules Cream surgiu justamente do desafio encontrado durante esse processo de adaptação.
Diante de uma tecnologia que parecia restrita às grandes indústrias, Portilho utilizou sua experiência em pesquisa e desenvolvimento para desenhar uma alternativa voltada às pequenas produções.
“Uma viagem pode trazer inspiração, mas a inovação acontece quando conseguimos transformar aquilo que observamos em uma solução aplicável. Foi isso que procurei fazer: traduzir tendências asiáticas para a realidade brasileira e desenvolver aquilo que ainda não existia”, afirma.
Com a criação, o patenteamento e o lançamento do dispositivo, Lucas Portilho amplia as possibilidades de inovação no setor magistral e demonstra a capacidade da pesquisa farmacêutica brasileira de desenvolver tecnologias próprias.
A iniciativa também reforça um movimento crescente no mercado cosmético: a busca por produtos personalizados, experiências sensoriais diferenciadas e soluções que aproximem as farmácias de manipulação das principais tendências internacionais.
Mais do que permitir a produção de uma apresentação cosmética que se tornou famosa na Ásia, o dispositivo representa a transformação de uma dificuldade prática em uma inovação brasileira, com forte aceitação do público e milhões de visualizações nas redes sociais.




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