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Ácido Tranexâmico: Muito além do Melasma

Olá meus Amigos! Espero que estja bem nesse dias Mães! Feliz dia pra todas elas!


Acabei de ler um estudo muito interessante publicado agora em 2026 avaliando algo que muita gente já comentava na prática clínica, mas ainda sem tantas explicações moleculares bem detalhadas: o ácido tranexâmico talvez vá muito além do melasma.


O trabalho investigou o uso tópico de ácido tranexâmico 3% em mulheres com melasma e observou melhora não apenas da pigmentação, mas também das linhas finas ao redor dos olhos. E, pensando bem, isso acaba fazendo bastante sentido quando começamos a olhar para os mecanismos inflamatórios e oxidativos envolvidos no envelhecimento da pele me lembro de evidências do tranexâmico no aumento da autofagia.

Neste trabalho, os pesquisadores acompanharam pacientes por algumas semanas e perceberam redução progressiva das rugas finas periorbitais no grupo que utilizou TXA. O mais interessante é que parte da melhora permaneceu mesmo após o término do tratamento.

Mas a parte que mais me chamou atenção foi o estudo celular.

Eles utilizaram fibroblastos humanos envelhecidos artificialmente através de um modelo clássico de estresse oxidativo. O tranexâmico conseguiu reduzir marcadores importantes de senescência celular, diminuir inflamação e melhorar o ambiente antioxidante das células. Bom, acho que isso vai nos ajudar bastante a entender por que muitos pacientes relatam melhora global da pele durante protocolos com ácido tranexâmico.

Lucas Portilho ensina cosmetologia e desenvolvimento de cosméticos
Venha Estudar no ICosmetologia Educacional

SASP

Tenho abordado bastante o tema SASP nas minhas aulas e os autores observaram redução de p16 e p21, duas proteínas extremamente associadas ao processo de senescência celular. De forma resumida, quando fibroblastos começam a sofrer muito estresse oxidativo, dano mitocondrial ou inflamação crônica, eles entram em um estado chamado senescência. A célula não morre, mas também praticamente deixa de funcionar normalmente.

O problema é que fibroblastos senescentes passam a produzir o famoso SASP, o chamado “fenótipo secretor associado à senescência”.


Na prática, esses fibroblastos começam a liberar diversas substâncias inflamatórias, metaloproteinases e mediadores que degradam colágeno, alteram matriz extracelular e estimulam inflamação crônica de baixo grau. É quase como se eles contaminassem o microambiente ao redor.


E pensando bem, isso tem total relação com envelhecimento cutâneo, flacidez, piora da textura e até alterações pigmentares.

Por isso achei interessante o fato do TXA reduzir IL-6, IL-8, MMP1 e MMP3, fatores muito associados ao SASP. É sempre bom pensarmos que controlar fibroblastos senescentes talvez seja uma das grandes estratégias futuras da cosmetologia anti-aging.

Outro ponto extremamente interessante envolve uma via chamada GPR30/MAPK. Os autores sugerem que o ácido tranexâmico pode modular essa comunicação celular ligada ao estresse oxidativo e envelhecimento. Quando eles bloquearam essa via, boa parte dos efeitos protetores desapareceu.

Ou seja, aparentemente o TXA não atua apenas como um ativo clareador. Ele pode estar ajudando a modular sinais celulares ligados à inflamação, ROS e envelhecimento fibroblástico.

E isso vem acontecendo bastante na cosmetologia moderna.

Hoje já entendemos que ativos ligados ao melasma, inflamação e até vascularização podem impactar diretamente fibroblastos, matriz extracelular, citocinas inflamatórias e envelhecimento cutâneo como um todo.

Claro que ainda precisamos de estudos maiores e protocolos mais longos para confirmar tudo isso na prática clínica diária. Mas confesso que achei muito interessante ver um trabalho conectando ácido tranexâmico, fibroblastos, ROS, p16, p21, SASP e envelhecimento de forma tão detalhada.


Para quem gosta da parte mais molecular da cosmetologia, vale muito a leitura completa do artigo.


abraços!!

Lucas Portilho

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