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A Pele avisa! Problemas endócrinos percebidos através da pele

há 28 minutos
3 min de leitura

Por Lucas Portilho, Farmacêutico, Mestre em Ciências Médicas e Especialista em formulações dermatológicas.


Olá meus Amigos! Espero que estejam todos bem!


Achei muito interessante uma revisão publicada recentemente no Current Medical Research and Opinion discutindo uma visão que eu particularmente considero muito importante: a pele pode funcionar como um espelho do que está acontecendo metabolicamente dentro do organismo.

Quando observamos acne persistente em mulheres adultas, acantose nigricans, múltiplos acrocórdons, aumento de oleosidade, hirsutismo, alterações capilares ou mesmo mudanças importantes na qualidade da pele, talvez não devamos olhar somente para a pele.

A revisão mostra a relação das manifestações dermatológicas com doenças como diabetes, alterações da tireoide, síndrome dos ovários policísticos, síndrome de Cushing e acromegalia. E algumas dessas alterações cutâneas podem aparecer antes mesmo do diagnóstico da doença sistêmica.


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Um exemplo clássico é a acantose nigricans, aquela pele mais espessa e hiperpigmentada principalmente em regiões como pescoço e axilas. Hoje sabemos que sua presença está fortemente relacionada à resistência à insulina e à síndrome metabólica. Uma revisão sistemática recente reforçou justamente essa associação.

Outro sinal interessante são os acrocórdons (parecem pequenas verruguinhas), principalmente quando aparecem em grande quantidade. Estudos já demonstraram associação entre múltiplos acrocórdons, aumento do HOMA-IR, hipertrigliceridemia e maior índice de massa corporal. Portanto, aquela pequena alteração que muitas vezes é considerada exclusivamente estética pode carregar uma informação metabólica interessante.

Na mulher, acne adulta, hirsutismo, alopecia androgenética e acantose nigricans também podem ser manifestações de hiperandrogenismo e síndrome dos ovários policísticos. Aqui existe uma interação importante entre andrógenos, resistência à insulina, unidade pilossebácea e inflamação. Estudos recentes reforçam que principalmente hirsutismo e acantose nigricans merecem atenção como possíveis marcadores cutâneos dessas alterações.

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Glicação e pele

Mas talvez um dos exemplos que mais gosto seja a glicação da pele.

Os produtos finais de glicação avançada, os famosos AGEs, vão se acumulando nas proteínas de longa duração, inclusive no colágeno dérmico. Esse acúmulo está relacionado ao estresse glicêmico e oxidativo e pode inclusive ser avaliado indiretamente pela autofluorescência da pele.

E isso é muito interessante: estudos mostram que indivíduos com síndrome metabólica apresentam maior autofluorescência cutânea e que esse marcador aumenta conforme cresce o número de componentes da síndrome metabólica.

Uma revisão mais recente mostrou ainda que, devido ao turnover lento do colágeno dérmico, o acúmulo de AGEs na pele pode carregar uma espécie de “memória glicêmica”, refletindo exposições à glicose ocorridas durante vários anos, e não apenas o momento atual.


Por isso gosto da ideia central deste artigo: a pele avisa.

Não significa, obviamente, que vamos diagnosticar diabetes, resistência à insulina, alterações hormonais ou doenças da tireoide simplesmente olhando a pele. Mas determinados sinais dermatológicos podem levantar uma suspeita e indicar que talvez seja necessário investigar o paciente de maneira mais ampla.

Para quem trabalha com cosmetologia, dermatologia e estética, essa visão é especialmente importante. Nem toda acne é apenas acne, nem toda hiperpigmentação é somente uma alteração de melanogênese e nem toda mudança da qualidade da pele deve ser tratada exclusivamente com um cosmético.

Quanto mais entendemos essa comunicação entre metabolismo, hormônios, inflamação e pele, melhor conseguimos interpretar aquilo que estamos vendo.

Às vezes estamos tentando corrigir um sinal na superfície enquanto a pele está simplesmente mostrando que existe alguma coisa acontecendo muito mais profundamente.


Trabalho liberado na íntegra!

aproveitem!

abraços

Lucas Portilho


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