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Rugas e Manchas: Ferro demais?

Por Lucas Portilho, Farmacêutico e Especialista em Cosmetologia. Mestre em Ciências Médicas pela Unicamp


Olá meus Amigos!


Trago polêmicas, mas das boas...acabei de ler uma revisão que me chamou bastante atenção porque ela levanta uma discussão pouco explorada quando falamos de envelhecimento cutâneo: será que parte das rugas, da perda de viço e até do fotoenvelhecimento pode ter relação com excesso de ferro acumulado na pele?


E pensando bem… isso faz bastante sentido biologicamente.


Nós sempre discutimos envelhecimento cutâneo olhando para radicais livres, inflamação, glicação, degradação de colágeno, radiação UV e melanogênese. Mas o artigo propõe algo interessante: talvez o ferro seja um dos principais gatilhos “acima” de tudo isso, funcionando como um iniciador de processos oxidativos extremamente agressivos.

O trabalho relembra algo clássico da bioquímica: o ferro participa das reações de Fenton e Haber-Weiss, responsáveis pela formação de radicais hidroxila, considerados alguns dos oxidantes mais destrutivos para proteínas, lipídios e DNA celular.


Quanto tempo o ferro permanece na pele?

O ferro permanece na pele por cerca de 60 dias, enquanto o turnover cutâneo médio gira em torno de 26 dias. Ou seja, existe um tempo relativamente longo para esse ferro participar continuamente de processos oxidativos dentro do tecido cutâneo.

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Os autores levantam a hipótese de que esse acúmulo progressivo poderia contribuir para:

  • Rugas;

  • Perda de luminosidade;

  • Aspecto amarelado ou “opaco”;

  • Lentigos solares;

  • Afinamento cutâneo;

  • Fotoenvelhecimento.


O artigo mostra que a radiação UVA consegue degradar ferritina dentro dos fibroblastos, liberando ferro livre. Esse ferro acelera a formação de espécies reativas de oxigênio e aumenta a expressão de MMP-1, a famosa colagenase-1, diretamente relacionada à degradação de colágeno.


Na prática, os autores sugerem um racional muito importante:


Talvez o dano solar não seja apenas “radiação gerando radicais livres”. Talvez exista um passo intermediário extremamente relevante: a liberação de ferro da ferritina após exposição UV.

Isso ajuda inclusive a explicar por que algumas peles parecem envelhecer muito mais rápido após anos de exposição solar cumulativa.

Outro ponto que achei extremamente relevante foi a relação entre menopausa e ferro.

Durante a menopausa, os níveis de ferritina aumentam significativamente, enquanto a capacidade antioxidante cutânea diminui. Os autores sugerem que isso talvez participe do afinamento da pele, aumento de rugas e piora global da qualidade cutânea nessa fase da vida.


Melasma

Bom, acho que isso abre uma discussão interessante até para melasma.

O artigo comenta que gravidez e interrupção da menstruação aumentam retenção de ferro no organismo. E talvez isso também participe do ambiente oxidativo associado ao melasma gestacional.


Claro que ainda faltam estudos clínicos robustos mostrando causa e efeito direto. Os próprios autores deixam isso muito claro. Mas biologicamente o racional é extremamente interessante.

E talvez isso nos faça olhar para antioxidantes de uma forma um pouco diferente.

Porque o artigo propõe uma reflexão importante: antioxidantes neutralizam radicais livres depois que eles já foram formados. Mas se o ferro continua presente e continuamente gerando oxidação, o processo nunca realmente para.


Talvez por isso muitas estratégias antioxidantes tenham resultados limitados no longo prazo.


Os autores inclusive discutem que quelantes tradicionais possuem dificuldade em acessar ferro armazenado em ferritina e hemossiderina, o que cria um novo desafio para desenvolvimento cosmético e dermatológico.


E sinceramente… pensando em tudo que discutimos hoje sobre inflammaging, senescência celular, SASP, degradação de matriz extracelular e dano mitocondrial, talvez o ferro esteja muito mais envolvido no envelhecimento cutâneo do que imaginávamos.


É um daqueles artigos que provavelmente, ou melhor, certatmente vão gerar bastante discussão nos próximos anos.


abraços

Lucas Portilho

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