PDRN tópico vs Retinol: Round 1
Olá meus Amigos! Espero que estejam todos bem!
HOje tem novidade meus amigos!
Achei esse artigo especialmente interessante por um motivo simples: quando falamos em PDRN, a maior parte dos trabalhos que encontramos ainda está relacionada às formas injetáveis. Aqui, os autores foram por outro caminho e avaliaram um PDRN tópico, o PDRN-850K, com peso molecular médio de até 850 kDa.
O estudo foi bem completo. Além das avaliações em fibroblastos e pele ex vivo, os pesquisadores também estudaram a penetração cutânea por espectroscopia Raman. O sinal associado ao PDRN aumentou com o tempo e foi detectado em regiões viáveis da epiderme. Em modelo de pele suína, o PDRN marcado também apresentou progressão para camadas mais profundas. É um dado interessante porque uma das grandes dúvidas quando pensamos em PDRN tópico é justamente: uma molécula desse tamanho consegue realmente atravessar a barreira cutânea?
Teste clínico
Mas a parte que mais me chamou atenção foi o teste clínico vs retinol.
Foram avaliadas 31 mulheres chinesas, entre 35 e 55 anos, com pele sensível, em um estudo randomizado, duplo-cego e do tipo split-face. Ou seja, a mesma voluntária utilizava os dois tratamentos: de um lado da região periocular, um creme com 0,1% de PDRN-850K; do outro, a mesma base cosmética contendo 0,1% de retinol.
Os produtos foram aplicados duas vezes ao dia durante 28 dias, e as avaliações aconteceram no início, após 14 dias e após 28 dias. Foram utilizados equipamentos para avaliar rugas, bolsas, sulco lacrimal, elasticidade, firmeza, espessura e densidade dérmica.
Os resultados foram interessantes. O PDRN apresentou melhora maior que o retinol em vários parâmetros. A espessura e a densidade dérmica tiveram aproximadamente duas vezes mais melhora com o PDRN. A redução de bolsas e sulco lacrimal também foi aproximadamente duas vezes maior.
Nas rugas perioculares, após 28 dias, o PDRN reduziu a área e o número de pés de galinha em aproximadamente 20 a 23%, enquanto o retinol ficou próximo de 6 a 7%. Firmeza e elasticidade também melhoraram mais com o PDRN.
IMPORTANTE
Usso não significa que PDRN é melhor que retinol de forma definitiva. O estudo teve apenas 28 dias, uma população específica e avaliou uma determinada formulação com um PDRN específico. Os próprios autores destacam que estudos mais longos são necessários.
Mas achei o artigo muito legal justamente porque começa a responder uma pergunta importante para nós formuladores: PDRN precisa necessariamente ser injetável para apresentar atividade relevante?
Além disso, nos modelos experimentais o PDRN modulou vias como PI3K/Akt e TGF-β/Smad, aumentou genes relacionados ao colágeno e elastina e, em pele fotoexposta ex vivo, aumentou diferentes tipos de colágeno, incluindo I, III, IV, V, VI, VII, XV, XVII e XVIII.
Para quem trabalha com desenvolvimento de dermocosméticos, é um trabalho que merece atenção. Não para abandonar o retinol, que continua sendo um dos ativos mais importantes do nosso arsenal, mas para entender que o PDRN tópico começa a ganhar evidências cada vez mais interessantes como estratégia de reparo da matriz extracelular e fotoenvelhecimento.
Muito legal e recomendo a leitura, pois no trabalho tem todas as fotos.
abraços
Lucas Portilho



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