Ozempic Face: cosméticos podem ajudar na perda de volume facial?
Por Lucas Portilho, Farmacêutico, Mestre em Ciências Médicas e Formulador
Olá Meus Amigos!!
Achei esse estudo bem interessante porque ele aborda um tema que está cada vez mais presente: o chamado Ozempic Face.
Com o emagrecimento rápido, principalmente associado ao uso de medicamentos como semaglutida e tirzepatida, algumas pessoas podem apresentar redução importante do volume facial, perda de firmeza, flacidez e maior evidência de sulcos e rugas.
O estudo avaliou durante 12 semanas o Vol.U.Lift, da Image Skincare, um creme facial com proposta volumizadora, em pessoas que haviam perdido pelo menos 10% do peso corporal, principalmente usuários de agonistas de GLP-1 e GLP-1/GIP.
Um detalhe importante para nós formuladores é que esse produto utiliza L-ornitina, justamente o componente ativo presente na matéria-prima Adipofill’in, desenvolvida para atuar sobre o metabolismo do tecido adiposo. Ou seja, o conceito de volumização discutido no artigo está diretamente relacionado a uma tecnologia que já conhecemos na cosmetologia.
Medotologia
Os participantes aplicaram o produto duas vezes ao dia e os pesquisadores acompanharam diferentes parâmetros da pele.
Os resultados chamaram atenção.
Após 12 semanas houve redução de 20,7% na severidade das rugas, aumento de 22,5% na firmeza, melhora de 23,2% na elasticidade, além de melhora da hidratação e da função de barreira.
Mas o dado que mais me interessou foi o aumento de aproximadamente 20,1% na espessura da pele e do tecido subcutâneo facial, avaliado por ultrassom.
E é justamente aqui que essa discussão fica muito interessante.
Durante muitos anos, quando falávamos de rejuvenescimento facial, praticamente toda a atenção ficava voltada para colágeno, elastina, ácido hialurônico, antioxidantes e renovação epidérmica.
Mas o envelhecimento facial também é estrutural, e envolve perda do tecido adiposo subcutâneo.
No Ozempic Face, essa perda pode ficar ainda mais evidente.
Onde entra o Adipofill’in?
O Adipofill’in utiliza L-ornitina encapsulada em um sistema Ionosome e trabalha com o conceito de modular o metabolismo dos adipócitos, estimulando armazenamento lipídico, adipogênese e lipogênese e reduzindo a lipólise.
O estudo clínico da própria matéria-prima também é interessante.
Foram avaliadas 20 mulheres entre 40 e 60 anos, utilizando uma formulação com 2% de Adipofill’in, duas vezes ao dia, durante dois meses, em comparação com placebo.
Os resultados mostraram redução de até 37,6% na profundidade das rugas e 27,5% na rugosidade.
Além disso, 80% das voluntárias relataram perceber a pele mais volumizada, enquanto 90% consideraram a pele mais firme e mais lisa.
Uma nova categoria de cosméticos?
Claro que não devemos comparar um cosmético com preenchedores ou procedimentos injetáveis.
Mas esse estudo reforça uma linha de raciocínio que considero bastante interessante: talvez seja hora de pensarmos além da derme quando formulamos produtos para envelhecimento facial.
Principalmente em pacientes com Ozempic Face, ativos voltados ao tecido adiposo subcutâneo podem começar a ocupar um espaço maior nas formulações.
E o mais interessante é que o próprio produto estudado, o Vol.U.Lift, trabalha justamente com essa estratégia de uso de L-ornitina, conceito associado ao Adipofill’in.
Acredito que vamos ouvir cada vez mais sobre cosméticos voltados para Ozempic Face nos próximos anos.
abraços
Lucas Portilho





Comentários