Colágeno XVII: uma proteína que precisamos conhecer melhor
Por Lucas Portilho, Farmacêutico, Mestre em Ciências Médicas e Formulador
Olá meus Amigos! Espero que estejam todos bem!
Quando falamos em colágeno e envelhecimento da pele, quase toda a discussão fica concentrada nos colágenos tipo I e III. Mas existe um outro colágeno que merece muito mais nossa atenção: o colágeno tipo XVII (COL17A1).
E já adianto que a intenção de trazer este artigo para vocês não é sugerir simplesmente a aplicação de colágeno XVII na pele, mas entender melhor a importância dessa proteína para que possamos pensar em estratégias cosméticas e dermatológicas capazes de preservar ou modular esse sistema.
O colágeno XVII é uma proteína transmembrana presente principalmente nos hemidesmossomos dos queratinócitos basais. Ele participa da ancoragem das células à membrana basal e tem relação direta com a manutenção das células-tronco epidérmicas, polaridade celular, renovação da epiderme e integridade da junção dermoepidérmica.
E isso é muito interessante porque, com o envelhecimento e o fotoenvelhecimento, ocorre redução do COL17A1. Menos colágeno XVII pode significar pior capacidade de manutenção das células-tronco e, consequentemente, menor capacidade regenerativa da pele.
O que o novo estudo mostrou?
O trabalho publicado em 2026 avaliou o colágeno XVII humano recombinante (rhCol17) em um modelo de fotoenvelhecimento provocado por luz azul.
Nas células-tronco epidérmicas, a exposição à luz azul aumentou ROS, inflamação e marcadores de senescência. Também reduziu proteínas relacionadas à manutenção dessas células, incluindo COL17A1, integrina β1, integrina α6 e P63.
Quando os pesquisadores utilizaram rhCol17, observaram melhora da viabilidade e da migração celular, redução de ROS, IL-1β, IL-6 e TNF-α e recuperação de vários desses marcadores. Nos animais, também houve melhora das alterações provocadas pela luz azul.
Outro ponto interessante foi a participação da via Notch. A luz azul aumentou Notch1 e HES1 e também os marcadores de senescência P16, P21 e P53. O rhCol17 reduziu essa ativação, sugerindo uma relação entre colágeno XVII, células-tronco epidérmicas e controle da senescência.
Ou seja: estamos falando de muito mais do que simplesmente "produzir colágeno".
Como penso isso nas formulações?
Aqui começa a parte que mais interessa para nós formuladores.
Um ativo que gosto bastante é o PeptAIde™ 4.0, da BASF. Ele não deve ser entendido simplesmente como um estimulador direto do COL17A1. Seu interesse está principalmente no controle da microinflamação e de proteases, incluindo mecanismos relacionados à elastase, que podem contribuir para a degradação do colágeno XVII. Portanto, é uma estratégia interessante de preservação do microambiente onde o COL17 está inserido.
Outro que utilizo é o Gatuline® Link n Lift, principalmente quando quero trabalhar a junção dermoepidérmica. Ele atua sobre colágeno IV, colágeno VII, lamininas, fibronectina e integrinas α6/β4. Essas últimas são particularmente interessantes porque fazem parte do sistema de hemidesmossomos no qual o colágeno XVII também exerce sua função. Portanto, aqui novamente estamos falando de uma estratégia de suporte ao sistema de ancoragem, e não necessariamente de aumento direto do COL17A1.
E existe ainda uma abordagem mais direta: o próprio colágeno XVII humano recombinante, que começa a aparecer como uma tecnologia bastante interessante. Além deste trabalho com luz azul, outros estudos vêm avaliando sua participação na manutenção da membrana basal, adesão celular e regeneração cutânea.
Também já existem complexos de peptídeos estudados especificamente para aumentar proteínas da membrana basal. Uma combinação de derivados de peptídeos biotinilados e tetrapeptídeo associado ao ácido ascórbico mostrou aumento da expressão de colágeno XVII e laminina em modelos de pele, mostrando que este alvo começa a entrar definitivamente no desenvolvimento de novos ativos cosméticos.
Para guardar
Talvez o principal aprendizado desse artigo seja mudar um pouco nossa visão sobre envelhecimento. Não basta pensarmos somente no fibroblasto produzindo colágeno I.
Precisamos olhar também para células-tronco epidérmicas, hemidesmossomos, integrinas, membrana basal e colágeno XVII.
É justamente por isso que gosto de estudar proteínas como o COL17A1: quanto melhor entendemos a fisiologia da pele, melhores ficam nossas escolhas de ativos e nossas associações nas formulações.
Grande abraço!
Lucas Portilho
Referência
Wang X, Li Q, Yang X, Bai Y, Sui S, Ge G, Li H, Yang R. Recombinant human collagen XVII protects epidermal stem cells from blue light-induced photoaging by downregulating the Notch pathway. Ann Med. 2026 Dec;58(1):2694876. doi: 10.1080/07853890.2026.2694876. Epub 2026 Jul 16. PMID: 42464532.





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