Ativos Cosméticos Antes e Depois de Procedimentos
Por Lucas Portilho, Farmacêutico, Mestre em Ciências Médicas e Formulador
Olá meus Amigos! Espero que estejam todos bem!
Separei um artigo publicado em 2026 no Journal of Cosmetic Dermatology que achei muito interessante para quem trabalha com formulação, estética e procedimentos.
E já quero deixar clara a intenção de trazer esse trabalho aqui: não é criar uma regra pronta de prescrição pré e pós-procedimento, mas ajudar no entendimento de quais ativos podemos utilizar em conjunto com procedimentos e equipamentos, pensando principalmente em barreira cutânea, inflamação, pigmentação e recuperação da pele.
O trabalho reuniu 14 especialistas de 10 países e avaliou 44 ativos associados a diferentes tipos de procedimentos, incluindo lasers ablativos e não ablativos, radiofrequência microagulhada, ultrassom, microagulhamento, peelings e procedimentos injetáveis.
Quais ativos apareceram melhor posicionados?
Alguns ingredientes foram considerados adequados em praticamente todos os cenários avaliados, entre eles ceramidas, colesterol, ácido hialurônico, niacinamida, pantenol e peptídeos.
Isso faz bastante sentido quando pensamos na fisiologia da pele. Muitos procedimentos geram inflamação, estresse oxidativo e alteração temporária da barreira cutânea. Por isso, ingredientes relacionados com hidratação, reparação e recuperação da barreira acabam ganhando bastante importância.
Ceramidas e colesterol, por exemplo, podem ser interessantes para reorganização da barreira. O ácido hialurônico entra principalmente na hidratação e recuperação, enquanto niacinamida, pantenol e peptídeos podem complementar muito bem esse período dependendo do objetivo da formulação.

E os antioxidantes?
A vitamina C apareceu muito bem posicionada no consenso e ficou entre os ativos mais recomendados em vários momentos do tratamento.
O ácido ferúlico também ganhou destaque, principalmente no pré-tratamento e no acompanhamento posterior.
Para nós, formuladores, isso abre espaço para pensar em associações antioxidantes já conhecidas, como vitamina C + vitamina E + ácido ferúlico, principalmente quando o objetivo é complementar procedimentos que geram estresse oxidativo e inflamação.
Nem todo ativo deve ser utilizado imediatamente após um procedimento
Esse é outro ponto importante do artigo. O consenso recomenda cautela principalmente com:
retinoides;
ácido glicólico;
ácido salicílico;
ácido lático;
ácido azelaico;
hidroquinona;
cisteamina;
peróxido de benzoíla.
Não significa que sejam ativos ruins.
Muito pelo contrário.
Retinoides, por exemplo, aparecem entre os ativos mais interessantes antes dos procedimentos e durante o acompanhamento posterior.
Quando existe uma alteração importante da barreira cutânea, o potencial irritativo de alguns ativos pode aumentar, assim como o risco de inflamação e hiperpigmentação pós-inflamatória em pacientes predispostos.
O equipamento também muda a escolha
Um laser ablativo de CO₂ não provoca a mesma alteração cutânea que um ultrassom microfocado, um preenchimento ou um microagulhamento.
Por isso, o artigo separa os procedimentos em grupos diferentes: equipamentos ablativos, equipamentos não ablativos, procedimentos sem ruptura importante da barreira e procedimentos que provocam alteração da barreira.
É justamente por isso que estou sugerindo a leitura desse artigo.
A ideia não é transformar o consenso em uma receita pronta, mas entender melhor como os ativos dermatológicos podem trabalhar em conjunto com procedimentos e equipamentos.
Para mim, essa integração entre formulação e tecnologia é um caminho cada vez mais interessante dentro da cosmetologia. O resultado de um procedimento não depende apenas do equipamento utilizado, mas também de como a pele é preparada antes, de como conduzimos sua recuperação e de quais ativos escolhemos ao longo desse processo.
Aproveitem! Artigo liberado na íntegra!
abraços
Lucas Portilho




Comentários