Vitamina C 12% e Envelhecimento da Pele: o que esse novo estudo mostrou?
Por Lucas Portilho, Farmacêutico, Mestre em Ciências Médicas e Formulador
Olá meus Amigos! Espero que estejam todos bem!
Tema de hoje? Vitamina C! É um daqueles ativos clássicos que continuam rendendo trabalhos interessantes. O estudo que separei hoje avaliou um sérum contendo 12% de vitamina C pura, na forma de ácido L-ascórbico, durante 84 dias.
Antes de comentar os resultados, uma informação importante: o estudo foi financiado pela L'Oréal e avaliou um produto da La Roche-Posay. Alguns autores também possuem vínculo profissional com as empresas.
Isso não invalida o trabalho, mas é uma informação que precisa ficar clara na interpretação dos resultados. Estudos feitos pela própria indústria são importantes para demonstrar a eficácia da formulação acabada, principalmente quando utilizam avaliações instrumentais e clínicas.
O que foi avaliado?
Participaram 49 mulheres, abrangendo todos os fototipos de pele, de I a VI.
O sérum estudado continha:
Componente | Função |
Ácido L-ascórbico | 12% – antioxidante e estímulo ao colágeno |
Vitamina E | Complementação antioxidante |
Ácido salicílico | Renovação superficial |
Ácido hialurônico | Hidratação |
Glicerina | Hidratação e barreira |
Um ponto interessante do artigo é justamente a discussão sobre formulação.
Não adianta olhar apenas para a concentração.
O ácido ascórbico é uma molécula bastante instável, sensível ao oxigênio, temperatura e luz. Por isso, veículo, processo produtivo e embalagem influenciam diretamente no desempenho final.
Ou seja: colocar 12% de vitamina C em qualquer sérum não significa reproduzir o produto estudado.
Resultados
Após 84 dias, houve:
aumento de 16,4% na espessura epidérmica
melhora do escore de colágeno em 58,8% das participantes
aumento de fibras de colágeno mais organizadas em aproximadamente 53%
melhora de 27,4% na firmeza
melhora de 30,2% na elasticidade
Também foram observadas melhoras em rugas, luminosidade, poros, oleosidade, manchas e uniformidade do tom da pele.
O produto também apresentou boa tolerabilidade durante o período avaliado.
Vale lembrar que o estudo foi aberto, sem grupo controle, realizado em um único centro e todas as participantes também utilizaram protetor solar diariamente.
Então precisamos interpretar os resultados dentro dessas características do desenho do estudo.
E para nós formuladores?
Essa é a parte que mais me interessa.
Mais do que copiar os 12%, podemos nos inspirar no conceito da formulação.
Uma possibilidade para manipulação seria:
Ativo | Concentração sugerida |
Ácido L-ascórbico | 10–12% |
Vitamina E | 0,5–1% |
Ácido hialurônico | 0,1–0,5% |
Sérum antioxidante (propanodiol) | qsp 30 mL |
Outra alternativa interessante são embalagens airless, frascos opacos, sistemas monodose ou tecnologias que mantenham a vitamina C protegida até o momento do uso.
12% ou 20%?
Nem sempre mais é melhor.
Concentrações maiores também trazem mais desafios de estabilidade, tolerabilidade e sensorial.
Por isso, muitas vezes uma formulação com 10 ou 12% de vitamina C bem estabilizada pode ser mais interessante do que uma concentração elevada em um sistema que oxida rapidamente.
Conclusão
Mesmo sendo um estudo patrocinado pelo próprio fabricante, o trabalho traz resultados interessantes porque avaliou parâmetros como espessura epidérmica, colágeno, firmeza e elasticidade.
Para mim, a principal mensagem é simples: vitamina C continua sendo um excelente ativo, mas o resultado depende tanto da concentração quanto da tecnologia da formulação.
E é justamente aí que entra o trabalho do formulador.
Estudo liberado na íntegra! aproveitem!
abraços
Lucas Portilho






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