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Melasma: Uma Associação Simples Pode Entregar Resultados em Apenas 2 Semanas?

8 de ago.
4 min de leitura

Por Lucas Portilho, Farmacêutico, Especialista em Cosmetologia e Mestre em Ciências Médicas


Olá meus Amigos! Espero que estejam todos bem!

Acabei de ler um relato de caso publicado agora em 2026 que achei interessante compartilhar com vocês, principalmente porque utiliza ativos que nós conhecemos e formulamos há muitos anos.

O estudo avaliou uma paciente de 75 anos com uma pigmentação facial bastante intensa, apresentando melasma difuso, lentigos e irregularidade importante na tonalidade da pele. O que me chamou atenção foi justamente a simplicidade da associação utilizada: Arbutin 1,5%, Ácido Kójico 1% e Ácido Azelaico 1,5%, nada de novo certo?

São três ativos clássicos da Cosmetologia, mas os resultados apresentados após apenas duas semanas foram bastante interessantes. Já vou mostrar de cara, olha esse resultado!


Resultado do novo protocolo pra melasma
Antes e depois da despigmentação de melasma facial e lentigos com o protocolo NewMelan.

Como o estudo foi realizado?

A paciente apresentava hiperpigmentação bilateral na face, principalmente nas regiões malares e testa, associada a alterações pigmentares e dá pra ver muito dano por excesso de exposição ao sol.

Foi utilizado um protocolo chamado pelos autores de NewMelan. A formulação continha:

Arbutin 1,5% + Ácido Kójico 1% + Ácido Azelaico 1,5%.

Na primeira semana, a aplicação foi realizada três vezes ao dia. Na segunda semana, duas vezes ao dia e, após 15 dias, uma vez ao dia como tratamento de manutenção.

Depois de aproximadamente duas semanas, os autores observaram redução importante da intensidade da pigmentação e melhora da uniformidade da tonalidade da pele.

As fotografias apresentadas no trabalho realmente mostram uma melhora visual bastante evidente.

Também foi descrita uma melhora discreta na textura e na luminosidade da pele, sem relato de efeitos adversos durante o período avaliado.

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Por que essa associação é interessante?

Apesar de serem ativos bastante conhecidos, existe um bom racional na associação.

A Arbutin atua principalmente sobre a tirosinase, uma das principais enzimas responsáveis pela formação da melanina.

O Ácido Kójico também interfere na tirosinase, principalmente pela sua capacidade de quelar o cobre presente no sítio ativo da enzima. Como a tirosinase é uma enzima cobre-dependente, esse mecanismo interfere diretamente na melanogênese.

Já o Ácido Azelaico possui ação sobre a atividade melanocítica e também apresenta propriedades anti-inflamatórias.

Portanto, temos três ativos conhecidos atuando de maneira complementar sobre o processo de pigmentação.

E isso é algo que considero importante quando desenvolvemos uma formulação para melasma. Nem sempre colocar seis ou sete clareadores dentro do mesmo produto significa que teremos uma fórmula melhor.

A escolha dos mecanismos e a tolerabilidade da formulação são fundamentais.


Concentração não é a única coisa que importa

Outro detalhe do trabalho que achei interessante foi a frequência de aplicação.

As concentrações utilizadas não são particularmente altas. Mesmo assim, durante a primeira semana a paciente aplicou o produto três vezes ao dia.

Quando desenvolvemos uma formulação, normalmente prestamos muita atenção na concentração do ingrediente, mas a frequência de utilização também interfere na exposição da pele aos ativos.

Uma fórmula com concentrações moderadas utilizada mais vezes ao dia é uma estratégia completamente diferente de uma formulação muito concentrada aplicada uma única vez.

Claro que isso precisa ser avaliado também em relação à tolerabilidade, principalmente no melasma.

Sabemos que irritação e inflamação podem contribuir para alterações pigmentares. Portanto, aumentar indiscriminadamente a concentração de despigmentantes nem sempre é uma boa estratégia.


O que eu ensino isso no meu curso DespigMente, os autores chamam o tratamento de NewMelan Multimodal Depigmentation Protocol.

Eu faria apenas uma observação em relação a essa nomenclatura.

Quando falamos em tratamento multimodal do melasma, normalmente pensamos na associação de diferentes estratégias, por exemplo, tratamentos tópicos, orais, peelings, tecnologias e fotoproteção.

Neste trabalho, a multimodalidade está muito mais relacionada aos diferentes mecanismos de ação dos ingredientes presentes na formulação.

Não diminui o interesse do estudo, mas é importante entendermos exatamente o que foi realizado.


Precisamos olhar também para as limitações


O resultado apresentado é interessante, mas o desenho do estudo tem limitações importantes. Estamos falando de um relato de caso com apenas uma paciente.

Não houve grupo controle, comparação com outros despigmentantes ou utilização de métodos instrumentais para quantificar objetivamente a redução da pigmentação. Também não foi realizada avaliação dermatoscópica.

Outro ponto importante é o curto período de acompanhamento.

Duas semanas podem mostrar uma resposta inicial ao tratamento, mas são insuficientes para responder uma das perguntas mais importantes quando falamos de melasma: e a recidiva?

Quem trabalha com melasma sabe que muitas vezes conseguimos bons resultados inicialmente. O grande desafio é manter esses resultados ao longo dos meses.

Por isso achei interessante que o protocolo tenha mantido uma aplicação diária após os primeiros 15 dias.

Os próprios autores reconhecem que estudos maiores, com maior tempo de acompanhamento e métodos objetivos de avaliação, ainda são necessários.

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O que podemos aprender com esse artigo?

Para mim, o ponto interessante desse trabalho não é descobrir um novo ativo clareador.

Muito pelo contrário. Arbutin, Ácido Kójico e Ácido Azelaico são ativos utilizados há muitos anos.

O interessante é observar como a associação de ingredientes conhecidos, com mecanismos diferentes e um esquema específico de aplicação, conseguiu produzir uma melhora visual importante nesse caso.

Às vezes ficamos muito preocupados em encontrar o ingrediente mais novo, mais tecnológico ou recém-lançado, mas uma boa formulação depende também de saber utilizar muito bem aquilo que já conhecemos.

Escolher os mecanismos, definir as concentrações, cuidar da tolerabilidade e pensar na manutenção continuam sendo fundamentais quando formulamos para melasma.


Grande abraço e vale a leituta! Até o próximo artigo!

Lucas Portilho

Farmacêutico, Especialista em Cosmetologia e Mestre em Ciências Médicas.

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